MÚSICA ERUDITA

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MÚSICA ERUDITA

Fonte: http://pzaine.sites.uol.com.br/mus.htm#h

MÚSICA
É definida, tradicionalmente, como a arte de combinar sons para obter efeitos expressivos. Pode também ser compreendida como a arte de combinar som e silêncio. A partir de experiências revolucionárias da música contemporânea admite-se até a música feita só de ruídos ou silêncio.
 

  • Música erudita ocidental

Assim como em outras culturas, no ocidente distingue-se a música popular, de bases coletivas, da música erudita, cujo código nem sempre é acessível a todos. Essas duas vertentes ora se tocam, ora se afastam, a ponto de uma criar transformações na outra.
A história da música erudita ocidental está associada à Igreja, às cortes, aos salões da burguesia, às salas de concerto e às universidades.
 

  • Música na Antiguidade

A música no ocidente, assim como as mais diversas manifestações artísticas, tem sua origem na Grécia e Roma antigas.
Grécia – Grande parte da terminologia musical, dos modos musicais e dos tipos de temperamento (afinação) das escalas originam-se na teoria musical grega.
No século VI a.C. Pitágoras demonstra proporções intervalares, numéricas, na formação das escalas musicais. São bases severas para evitar o subjetivismo incontrolável. A essa posição se opõe Aristogenos de Tarento, para quem a base de uma teoria musical não é numérica e sim a experiência auditiva.
Os gregos desenvolvem vasta teoria e produção musical ligadas às festividades e ao teatro . Uma parte dessas composições é recuperada graças a notação musical baseada no alfabeto, como os Fragmentos de Eurípedes e a Canção de Seikilos.
Roma – Escravos romanos oriundos da Grécia e cercanias difundem a tradição musical grega e tornam-se figuras centrais da música romana, presente em exibições de lutas e espetáculos em anfiteatros.
Os romanos recompilam, nos séculos II e IV a.C., a teoria musical grega. Destacam-se Euclides de Alexandria (século III a.C.), Plutarco (século I a.C.) e Boécio, que no ano 500 d.C. traça as bases da teoria musical da Idade Média latina.

 

  • Música no período medieval

O período é marcado pela música modal praticada nas himnodias e salmodias, no canto gregoriano, nos organuns polifônicos, nas composições polifônicas da Escola de Notre-Dame, na Ars Antiqua e Ars Nova e ainda na música dos trovadores e troveiros.
MÚSICA MODAL
A música modal se caracteriza pela importância dada às combinações entre as notas e a seus resultados sonoros particulares. De acordo com a função e o texto cantado, o compositor usa um modo escalar diferente. O fundamento da música modal é a composição melódica, seja em uma monodia (uma só melodia) ou em uma polifonia (mais de uma melodia, simultâneas).
Himnodias e salmodias – A música erudita no ocidente começa com a proliferação das comunidades cristãs, entre os séculos I e VI. Suas fontes são a música judaica (os Salmos) e a música helênica sobrevivente na antiga Roma. As principais formas musicais são as salmodias cantos de Salmos ou parte de Salmos da Bíblia e himnodias, cantos realizados sobre textos novos, cantados numa única linha melódica, sem acompanhamento. A música não dispõe, então, de uma notação precisa. São utilizados signos fonéticos acompanhados de neumas, que indicam a movimentação melódica.
Monodia gregoriana – A rápida expansão do cristianismo exige um maior rigor do Vaticano, que unifica a prática litúrgica romana no século VI. O papa Gregório I (São Gregório, o Magno) institucionaliza o canto gregoriano , que se torna modelo para a Europa católica. A notação musical sofre transformações, e os neumas são substituídos pelo sistema de notação com linhas. O mais conhecido é o de Guido d’Arezzo (995? 1050?). No século XI, ele designa as notas musicais como são conhecidas atualmente: ut (mais tarde chamada dó), ré, mi, fá, sol, lá, si.
Música Polifônica
Os sistemas de notação impulsionam a música polifônica, já em prática na época como a música enchiriades, descrita em tratado musical do século IX, que introduz o canto paralelo em quintas (dó-sol), quartas (dó-fá) e oitavas (dó-dó). É designado organum paralelo e no século XII cede espaço ao organum polifônico, no qual as vozes não são mais paralelas e sim independentes umas das outras.
Escola de Notre-Dame – A prática polifônica dá um salto com a música desenvolvida por compositores que atuam junto à Catedral de Notre-Dame. Eles dispõem de uma notação musical evoluída, em que não só as notas vêm grafadas, mas também os ritmos a duração em que cada nota deve soar. Mestre Leonin e Perotin, o Grande, são os dois principais compositores dessa escola, entre 1180 e 1230. Ambos, em seu modo de composição rítmica, além da elaboração de vozes novas sobre organuns dados, se abrem para composições autônomas. Abandonam o fluxo rítmico do texto religioso, obedecido no canto gregoriano, em troca de divisões racionais, criando a base para escolas futuras.
Ars Antiqua – Desenvolve-se entre 1240 e 1325, e suas formas musicais perduram até o fim da Idade Média: o conductus, o moteto, o hoqueto e o rondeau. O moteto é composto a partir de textos gregorianos que recebem um segundo texto, independente e silábico, cada vogal corresponde a uma nota, seja esta repetição ou não da antecedente. Essa necessidade de cantar cada vogal num novo som impulsiona a notação rítmica. Os motetos que mais se destacam são realizados com textos profanos sobre organuns católicos.
Ars Nova – De 1320 a 1380 impera a Ars Nova, denominação de um tratado musical do compositor Philippe de Vitry. O organum e o conductos desaparecem, e o moteto trata de amor, política e questões sociais. Variados recursos técnicos são utilizados para dar uniformidade às diversas vozes da polifonia: as linhas melódicas são comprimidas ou ampliadas e muitas vezes sofrem um processo de inversão (sendo lidas de trás para diante).
Guillaume de Machaut é o grande mestre desse período. Utiliza, com precisão, recursos como os baixos contínuos e a isoritmia – relação de proporcionalidade entre todas as linhas melódicas da polifonia, possibilitando que as vozes se desenvolvam sobre uma única base rítmica.
Música profana – A atividade de compositores profanos, como os minnesangers e os meistersangers germânicos e os trovadores e troveiros franceses, é intensa entre os séculos XII e XIII. Os trovadores da Provença, ao sul da França, e os troveiros, ao norte, exercem forte influência na música e poesia medievais da Europa. Suas músicas de cunho popular, em dialetos franceses, enfatizavam aforismos políticos (como no compositor-poeta Marcabru), canções de amor (Arnaud Daniel, Jofre Rudel e Bernard de Ventadour), albas, canções de cruzadas, lamentações, duelos poético-musicais e baladas. A base para suas melodias são os modos gregorianos, porém de ritmo marcado e dançante, com traços da música de origem moçárabe do mediterrâneo.
Adam de la Halle (1237-1287) troveiro francês, menestrel da corte de Roberto II de Arras, a quem acompanha em viagens a Nápoles. Trata seus poemas em composições musicais polifônicas, como os 16 rondós a três vozes e 18 jeu partis (jogos repartidos), em que se destacam o Jogo de Robin e Marion e o Jogo da folha, que podem ser classificados como as primeiras operetas francesas.

 

  • Música Clássica no Renascimento

Nos séculos XV e XVI a música vocal polifônica passa a conviver com a música instrumental nascente. Destacam-se a polifonia franco-flamenga (França e região de Flandres parte da Holanda e Bélgica atuais), a polifonia da escola romana e a música dos madrigalistas italianos.
Polifonia Franco-Flamenga
Herdeira direta da polifonia da Ars Nova, a música da França e região de Flandres realiza profundas mudanças na linguagem polifônica.
As vozes deixam de ser heterogêneas (sonoridades mistas resultantes de textos diferentes simultâneos) e entrecortadas, tornando-se alargadas e homogêneas. A rítmica extremada cede lugar à naturalidade das linhas melódicas, não submetidas às proporções matemáticas da Ars Nova.
O moteto dá lugar à canção, ao madrigal e à missa.
Primeira geração – Destacam-se Gilles Binchois (1400-1460) e Guillaume Dufay (1400-1474), que, tendo participado por nove anos do coro da capela papal em Bolonha, acrescenta à polifonia a sinuosidade das melodias italianas.
Segunda geração – É marcada pela música de Johannes Ockeghem, com quem a polifonia, de no máximo quatro vozes, é ampliada até 36 vozes simultâneas, caracterizadas por fluxo contínuo, ritmo brando e complexo.
Johannes Ockeghem (1420-1491) nasce em Termonde, na região de Flandres Oriental, e estuda com o mestre polifonista Binchois. Em 1452, torna-se mestre-capela dos reis da França, em Paris, e tesoureiro da Abadia de Saint Martin de Tours, em 1459. Dele foram conservadas 17 missas, sete motetos e 22 canções e o primeiro réquiem polifônico conhecido.
Terceira geração – Destaca-se Josquin des Près, que volta a empregar conduções vocais em movimentos paralelos, com uma melodia marcada por rítmica mais uniforme. Os motetos são retomados, com um forte simbolismo musical que realça o conteúdo expressivo das obras. É dessa época também o surgimento dos primeiros editores de música: Veneza (1501) e Paris (1527).
Quarta e quinta gerações – É representada por Adrian Willaert (1480-1562), discípulo de Josquin, e por Orlando di Lasso (1532-1594), compositor de 70 missas, 100 magnificats e mais de 200 madrigais, entre outras obras.
Escola Romana
No século XVI, em Roma, um grupo de compositores faz música predominantemente religiosa, fundindo elementos da escola franco-flamenga com a riqueza das melodias italianas.
A escola romana retoma o canto gregoriano na composição polifônica, atendendo às exigências da Contra-Reforma.
Seu principal representante é Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), cuja obra é modelo para as escolas posteriores. A independência entre as vozes melódicas, o equilíbrio harmônico (nenhuma voz sobressai a outra) e a melodia agradável são ressaltados nos tratados de Berardi, no século XVII, e de Fux, já no século XVIII.
Madrigalistas Italianos
Do século XVI ao XVII, impera na Itália o madrigal, a conjunção perfeita entre música e texto. O madrigal é herdeiro direto das chansons francesas, que já possuem caráter descritivo, como o canto de pássaros, os gritos de pregão nas ruas, a narração de batalhas. Baseia-se na prática polifônica e na homofonia nascente, além da monodia medieval. A música, inspirada pelo texto, é fortemente descritiva.
Certos recursos sonoros são utilizados em situações determinadas: movimentos cromáticos se associam à tristeza, um intervalo de quarta ou quinta descendente corresponde ao choro etc. Por seu caráter dramático, o madrigal é o elo de ligação entre a música modal medieval e renascentista e a música tonal do barroco, classicismo e romantismo. Seus principais compositores são Luca Marenzio (1554-1599), A. Gabrieli (1510-1586), Carlo Gesualdo di Venosa (1560-1613) e Cláudio Monteverdi (1567-1643).

 

  • Música Clássica no Período Barroco

No período que vai de 1660 a 1750, predomina uma música vocal instrumental voltada para o texto a ser cantado. É a época das primeiras óperas, das grandes cantatas e oratórios e da fuga, definindo o início da música tonal. A polifonia, com as vozes melódicas independentes do coro, cede lugar à homofonia. As melodias são simples, acompanhadas, facilitando a compreensão do texto. A música instrumental tem lugar privilegiado. Além de pontuar as óperas com passagens instrumentais, desenvolve-se como linguagem independente, favorecendo o virtuosismo técnico. A matriz composicional deixa de ser o conjunto vocal de diversas vozes, dando lugar aos instrumentos de teclado: órgão, cravo, espineta (O cravo bem temperado, Prelúdios e fugas para órgão, de J.S. Bach; as Sonatas de D. Scarlatti).
MÚSICA TONAL
Na música tonal, os modos medievais e suas variantes são substituídos pelos dois modos tonais: o modo maior e o modo menor.
As alturas – as notas – são organizadas em um desses dois modos, a partir de uma das 12 alturas cromáticas (as sete notas mais suas alterações, sustenido ou bemol), as quais dão nome à tonalidade: dó menor, dó maior, ré maior etc. O jogo principal é a resolução das tensões harmônicas sobre o acorde principal da tonalidade.
O grau de tensão é aumentado de acordo com as dissonâncias, ou a partir do recurso de modulação a passagem de um modo a outro.
PRIMEIRAS ÓPERAS
A primeira ópera de que se tem conhecimento é Dafne, de Jocopo Peri (1561-1633), apresentada em Florença, em 1597, seguida de A representação da alma e do corpo, de Cavalieri, em 1602. Essas primeiras óperas têm dificuldade em concatenar música e cena e os textos são pouco claros. Em Orfeu, de Monteverdi, de 1607, esses problemas estão superados. A orquestra de Orfeu é renascentista, com instrumentos de base (contínuos), formando um conjunto de sopros e cordas. Monteverdi cria uma variedade de coloridos sonoros ligados às diversas situações expressivas da ópera, como os metais sempre associados ao inferno. Abre espaço para solos vocais recitativos, onde o cantor fica mais livre para declamar e atuar.
Fora da Itália, a ópera se desenvolve tardiamente. Na Inglaterra, com Henry Purcell (1659-1695), e na França, com Jean Baptiste Lully (1632-1687), um italiano naturalizado francês, que retoma a tradição dos Balés de Corte, enquadrando seu trabalho dentro do grande movimento cultural francês da época, em que despontam Molière, Racine, La Fontaine, entre outros.
Claudio Monteverdi (1567-1643) nasce em Cremona e torna-se aluno de Marc-Antoine Ingegneri, mestre da capela de Cremona. Passa 12 anos de sua vida servindo ao duque de Mântua, para quem produz diversas óperas (Orfeu, O combatimento de Tancredo e Clorinda) e diversos livros de madrigais. Em 1613, é nomeado mestre-capela de São Marcos, em Veneza. Cria o concitato, um estilo musical agitado que busca exprimir os tremores profundos da alma.
Oratório, cantata e fuga – O oratório e a cantata são formas vocais dramáticas não encenadas. Junto com o ricercari, as suítes de danças, as tocatas para instrumentos solistas, o concerto grosso onde um dos instrumentos é destacado e a sonata, levam adiante a música tonal. A partir do antigo ricercari desenvolve-se a fuga, forma musical baseada no princípio de imitação: uma voz melódica acompanha a outra com uma certa defasagem, caminhando as duas simultaneamente, num jogo polifônico. O mestre dessa forma musical é Johann Sebastian Bach
Johann Sebastian Bach (1685-1750) nasce em Eisenach, na Alemanha. Órfão, é educado por um tio. Começa como cantor na igreja de São Miguel em Lüneburg, passando a violonista na corte de Weimar. Em São Bonifácio de Arnstadt, consegue seu primeiro cargo como organista. Dedica grande parte de sua obra a ofícios religiosos (oratórios, cantatas, corais) e formações instrumentais (Oferenda musical, A arte da fuga, Concertos brandenburgueses, Concerto duplo para oboé e cravo), tendo desenvolvido uma escrita particular para instrumentos solistas (Partitas para violino solo, Suítes para violoncelo solo) e para teclados (Prelúdios e fugas para órgão, Livro de Ana Magdalena Bach). É um dos pioneiros no uso do temperamento – afinação dos instrumentos de teclado que permite tocar em mais de uma tonalidade sem a necessidade de reafinar o instrumento – como nos seus prelúdios e fugas do Cravo bem temperado.
Concerto grosso – Junto com a sonata, é uma das formas instrumentais mais importantes da música barroca. Se baseia no contraste entre duas massas sonoras diferentes. Um pequeno grupo chamado de concertino, é sempre repetido por um grupo de maior dimensão: o tutti (do italiano todos). O concertino consiste de um trio de cordas e alguns sopros. Um instrumento, o continuo, garante a fusão harmônica das linhas melódicas dos dois grupos. Essa forma musical teve dois grandes mestres: Arcangello Corelli e Antonio Vivaldi.
Antonio Vivaldi (1678-1741) nasce em Veneza, Itália. Filho de violinista, estuda música e teologia ainda jovem. Ordena-se padre pela Igreja católica e é chamado de o "padre vermelho", dada a coloração ruiva de seus cabelos. Sua música instrumental é um dos pontos altos da escritura musical italiana da primeira metade do século XVIII. É inovador no uso de escalas rápidas, arpejos extensos e registros contrastantes em suas peças. Desenvolve principalmente a escrita para cordas, em especial o violino. Muitos de seus inúmeros concertos para instrumentos solistas e orquestra, concertos grossi, sonatas, óperas e peças corais são ainda hoje desconhecidos. Sua obra esperou até a metade do século XX para ser reconhecida. De suas peças a mais popular é o ciclo As quatro estações.

 

  • O Pré-classicismo na música clássica.

Ópera Napolitana 
Desde o início a ópera é a música mais popular na Itália, fazendo a transição entre o barroco e o classicismo. O seu principal compositor é Alessandro Scarlatti (1660-1725), pai de Domênico Scarlatti (1685-1757), e a cidade de Nápoles é o centro da atividade operística. Sob domínio espanhol de 1522 a 1707, Nápoles difunde o estilo musical que predomina no século XVIII. Da ópera napolitana são importantes: as grandes árias, realizadas em solos ou duos dos personagens; a distinção entre ópera séria (de temática erudita) e ópera bufa (de temática retirada do cotidiano, que não se confunde com a chamada ópera cômica); a inclusão de melodias ao gosto popular; e os invariáveis happy ends, tornando a ópera um gênero musical leve e popular. Entre seus compositores destacam-se Niccolo Jommelli (1714-1774) e Davide Perez (1711-1778) compositores napolitanos que serviram à corte de Lisboa , Alessandro Scarlatti e também Joseph Haydn (1732-1809).
Alessandro Scarlatti (1660-1725) é nomeado mestre da capela real de Nápoles em 1648, função que ocupa até sua morte. Leva a ópera napolitana a limites inusitados. Escreve 115 óperas, 700 cantatas, mais de 200 salmos, inúmeros oratórios e diversas peças de música de câmara. A maior parte dessa obra permanece em manuscritos. Pai de Domênico Scarlatti, que anos depois revoluciona a escrita para teclado.
Joseph Haydn (1732-1809) começa a compor muito jovem, dirigindo uma pequena orquestra para o conde Morzin. Em 1761 é chamado para dirigir a capela de música dos príncipes Esterhazy, aos quais serve até sua morte. É responsável pela lapidação formal da música instrumental, tendo deixado 104 sinfonias, 50 sonatas para piano e 80 quartetos de cordas. É considerado o principal compositor da escola napolitana.
 

  • O Classicismo na música clássica.

O passo definitivo para a música tonal é dado com a sonata clássica. Nela os momentos de tensão e relaxamento tornam-se a base da construção formal de obras para instrumento solo e posteriormente para quartetos de cordas, trios e sinfonias. Haydn e Mozart fazem da sonata a forma musical mais importante do final do século XVIII e início do século XIX. Esse projeto é levado às últimas conseqüências por Beethoven. Suas sonatas deixam de ser jogos de divertimento ou variações sobre as melodias principais e se tornam uma profunda rede de interrelações entre ritmos, melodias e timbres. Junto com Franz Schubert (1797-1828), Beethoven abre as portas para o romantismo.
Sonata – O termo sonata tem sentidos diferenciados. No século XVII, designa uma peça polifônica, instrumental, que se opõe à sinfonia, que é mais homofônica; posteriormente, tem-se a sonata de igreja, em estilo de fuga, e a sonata de câmara, composta de uma suíte (seqüência) de danças. Com Boccherini e Carl Phillipp Emmanuel Bach, filho de Johann Sebastian, a sonata toma a forma que perdura até o século XIX: uma estrutura em três movimentos, com dois temas principais, que são desenvolvidos por meio de variações rítmico-melódicas e da modulação.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasce em Salzburg, na Áustria, filho de Leopold Mozart, compositor e professor de música. A partir dos 6 anos, é levado a diversos países, onde demonstra seu talento ao piano. Aos 10 anos compõe seus primeiros oratórios e sua primeira ópera cômica. Em 1781 se estabelece em Viena. Após uma temporada em Praga, volta para Viena e compõe a ópera A flauta mágica, no ano de sua morte. Deixa mais de 600 obras entre as quais 20 óperas; 15 missas (incluindo o famoso Réquiem); 100 canções, árias e corais; 50 concertos para instrumento solista e orquestra; 17 sonatas para pianos; 42 sonatas para violino e piano e 26 quartetos de cordas.
 

  • O Romantismo na música clássica.

Sobre bases tonais sólidas, o período romântico é o derradeiro momento da música tonal. As formas livres, lieds, prelúdios, rapsódias, o sinfonismo, o virtuosismo instrumental e os movimentos nacionais incorporam elementos alheios à tonalidade estrita do classicismo e esta lentamente se desfaz.
Ludwig van Beethoven (1770-1827) nasce em Bonn, Alemanha, e estuda música por exigência de seu pai. É mandado para Viena, em 1792, para completar sua formação, onde permanece por toda a vida. Tem aulas com Haydn e pratica composição dramática com Antônio Salieri. Apesar do temperamento irascível e compositor de uma música considerada difícil para a sua época, é bastante prestigiado em Viena. Em 1798, percebe os primeiros traços de surdez, isola-se e fica mais agressivo. São repertório obrigatório as suas nove sinfonias, quartetos de cordas, 32 sonatas para piano, variações para piano, entre muitas outras composições .
Lied – Curtas canções para piano e voz e facilidade melódica (o novo lirismo), para melhor exprimir os sentimentos mais íntimos, compõem as características principais dos lieds (canção, em alemão). Esta forma é desenvolvida por Franz Schubert (1797-1828), Robert Schumann (1810-1856) e mais tarde por Johannes Brahms (1833-1897). Inicialmente os textos são retirados da poesia romântica alemã de Goethe (1749-1832) e Heine (1799-1856). Também são características da época das formas livres como os prelúdios, rapsódias, noturnos, estudos, improvisos etc., presentes na obra de Frederic Chopin (1810-1849) e Franz Liszt. Essas peças são geralmente para piano solo e realçam o virtuosismo instrumental, dividindo a importância do concerto entre a obra e a presença do intérprete. Tal tradição já vinha do classicismo, em que diversos compositores eram instrumentalistas virtuoses, como é Niccoló Paganini (1782-1840).
Sinfonismo – Compreende obras para grandes orquestras e privilegia o virtuosismo. Destaca-se a obra de Johannes Brahms, com suas quatro sinfonias, dos franceses César Franc (1822-1890) e Hector Berlioz (1803-1869), que revoluciona a concepção da orquestra clássica ao acrescentar mais instrumentos em sua Sinfonia fantástica, op.14, de 1830, reformulando os modos de instrumentação vigentes em sua época.
Escolas nacionais – A música do final do século XIX, embora imbuída do individualismo, reflete as preocupações coletivas relacionadas aos movimentos de unificação que marcam a Europa no período. As composições unem o pensamento nacional às melodias populares. Representam as escolas nacionais os compositores tchecos Smetana (1824-1884) e Antonin Dvorak (1841-1904), o escandinavo Grieg (1843-1907) e os russos A. Borodin (1834-1887), Modest Mussorgski (1839-1881) e Rimski-Korsakov (1844-1908). Sua música é marcada pelo modalismo e pelo colorido das melodias populares.
Extremos da tonalidade – A consolidação do romantismo liga-se ao poema sinfônico de Liszt e à ópera de Wagner. Com a obra desses dois compositores ocorre a revolução harmônica. A música deixa de repousar sobre uma só escala, em modulações tradicionais, e torna-se livre. A cada momento o ouvinte está dentro de uma nova escala. A tensão harmônica é tamanha que a velha harmonia entra em colapso. Tudo para atingir o máximo de expressividade. Nesse movimento, Liszt retoma elementos da música modal, trazidos das melodias populares e do modo de cantar dos povos da Hungria.
Franz Liszt (1811-1886) nasce na Hungria e estuda música em Paris. Aos 12 anos, exibe pela Europa sua extrema agilidade ao piano. Vive amores conturbados, sem jamais se casar. É pai de um filho e duas filhas (a última, Cosima, se casa com Wagner). Recolhe-se à Ordem Terceira de São Francisco, em Roma, torna-se abade, recusando o sucesso e a glória. Nesse período, compõe obras que antecipam o atonalismo expressionista alemão. Entre suas obras destacam-se Rapsódias húngaras, Sinfonia Fausto, Funerais (harmonias poéticas e religiosas) e Bagatela sem tonalidade.
Richard Wagner (1813-1883) nasce em Leipzig, Alemanha, e cresce num meio familiar formado por atores. Escreve, ainda na infância, tragédias em estilo grego e shakespeariano. Aos 15 anos dedica-se a estudar música. Sua primeira ópera de grande porte é Rienzi, sob influência da ópera francesa. O sucesso vem com O navio fantasma. Depois virão: Lohengrin, O anel dos nibelungos, Mestres-cantores. Participa de movimentos sociais em 1848 e 1849. Em Tristão e Isolda, de 1865, reivindica o retorno do drama ao seu caráter religioso (ritual) primitivo.
Verismo – A utilização de temática cotidiana, na qual os personagens não são heróis mitológicos, mas pessoas comuns, constitui o verismo termo originado da palavra vero (verdade em italiano), que corresponde na ópera à literatura naturalista do francês Émile Zola. Pode ser notado nas óperas dos italianos Giuseppi Verdi (1813-1901) e Giacomo Puccini (1858-1924) e do francês Georges Bizet (1838-1875). São óperas representativas desse período La traviata, de Verdi, La bohème, de Puccini, e Cármen, de Bizet.
Romantismo tardio – Após a virada do século, as idéias de Wagner perduram em obras de compositores-regentes, voltados principalmente para a escrita orquestral, como Richard Strauss (1864-1949) e Gustav Mahler (1860-1911). Esses compositores introduzem as grandes massas orquestrais , corais chegando a mais de mil pessoas (Sinfonias no 8, de Mahler), e sinfonias de longa duração, compreendendo por volta de uma centena de temas (Sinfonias alpinas, de Strauss). Inovam ainda com o uso de recursos instrumentais que enfatizam o caráter programático da música (os instrumentos de metal imitando carneiros no Don Quixote de Strauss; o som dos sinos das igrejas na primeira Sinfonia de Mahler).
 

  • O Impressionismo na música clássica.

Esse movimento surge na França, em meados do século XIX, como um novo modo de percepção do mundo, que se reflete principalmente na música e nas artes plásticas. A arte do extremo oriente fonte de inspiração dos impressionistas se revela na valorização da sonoridade dos instrumentos musicais e dos jogos harmônicos. O principal representante desse movimento é Claude Debussy (1862-1918), que se afasta das temáticas épicas do romantismo. Retoma, em seu quarteto de cordas, elementos modais da música européia do passado, escalas de origem oriental e uma sucessão de acordes que recombinam as notas como modo de modificar o colorido harmônico. Exerce influência sobre Maurice Ravel (1875-1937), Erik Satie (1866-1925) e diversos compositores de movimentos nacionais, como o brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), o húngaro Bela Bartok (1881-1945) e o russo Ígor Stravinski (1882-1973).
Claude-Achille Debussy (1862-1918) nasce em Saint Germain-en-Laye, perto de Paris. Aos 11 anos ingressa no conservatório de Paris, onde surpreende seus professores com harmonias inusitadas. Recebe, aos 22 anos, o cobiçado Prêmio de Roma (tal como Berlioz). Entre 1890 e 1900, compõe a ópera Pelléas e Mélisande, tornando-se reconhecido por toda a Europa, a Suíte bergamasque para piano, o Quarteto de cordas de 1893, La mer (O mar) e Imagens para orquestra e os dois volumes de Prelúdios para piano. No final de sua vida segue um novo caminho, afastando-se do impressionismo, como se vê em Jeux. Morre em 1918, durante um bombardeio sobre Paris, oito meses antes da vitória francesa.
 

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